
A senhora se lembra de quando eu chutei sua barriga pela primeira vez? E o meu primeiro ultra-som? Você ainda o tem? Espero que não tenham doído as contrações. Por acaso se emocionou ao ouvir meu primeiro choro de vida? Acho que sim.
Sabe, mãe, eu sempre quis crescer e cuidar bem da senhora quando sua velhice chegasse. É, eu ainda quero fazê-lo, de verdade. Gostaria tanto que me perdoasse por todas as vezes que te fiz passar raiva ou preocupação. Perdoe-me quando bati a porta do quarto na tua cara, ou quando te respondi mal, é que eu herdei a sua personalidade explosiva.
Lembra-se das vezes em que a senhora disse que teria uma fazenda? Lembra, também, que eu sempre disse que me formaria em Direito? Eu ainda quero me formar nessa profissão, mas a longo prazo, vou fazer faculdade de Agronomia, pra poder ajudá-la a cuidar de sua fazenda.
É, mãe, pode não parecer, mas eu quero o melhor pra você, quero que tenha a melhor terceira idade possível. Sei que ando errando muito, mas é normal de adolescente quebrar a cara, e eu te amo muito mesmo. Quero, um dia, poder retribuir toda a preocupação, atenção, carinho e dedicação que me dá.
Só peço que não me deixe. Sabe que eu não suportaria perder mais alguém tão importante na minha vida. Eu te amo, muito... É só.
-Sua filha
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